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Sobre o método de evocar Espíritos Malignos, ou Familiares ou almas e as sombras dos mortos, por meio de um Círculo magico


É conveniente dizer alguma coisa sobre os meios usados pelos exorcistas para evocar ao círculo os assim chamados espíritos malignos e os métodos de chamar os fantasmas ou as almas dos que morreram de morte violenta ou prematura.

Quando alguém pretende chamar ao círculo um espírito maligno, deve primeiro considerar e conhecer sua natureza, e a que planetas ele corresponde, e que encargos lhe são atribuídos pelo planeta. Sabendo isto, deve procurar um lugar adequado e conveniente para sua invocação, relacionado-o com a maior precisão possível à natureza do planeta e à qualidade dos encargos do dito espírito. Caso seu poder seja sobre o mar,rios ou enchentes, que o lugar seja a praia, e assim por diante. Escolher uma ocasião adequada à qualidade do ar (sereno, calmo, limpo e favorável para o espírito assumir um corpo), assim como à qualidade e à natureza do planeta e do espírito, como, por exemplo, seu dia e sua hora de soberania, pois a ocasião pode ser favorável em algumas horas do dia ou da noite e desfavorável em outras, dependendo do que exigem os astros e os espíritos.

Depois de consideradas judiciosamente estas coisas, fazer o círculo no lugar escolhido para a defesa do invocador e para a confirmação do espírito.

Escrever no círculo os nomes divinos gerais e todas as coisas que nos protegem, junto com os nomes divinos que governam seu planeta e com os encargos do próprio espírito. Escrever também os nomes dos espíritos bons que governam na ocasião em que estiver realizando isto, que possam encantar e compelir o espírito que desejamos chamar. E para fortalecer mais o círculo, podemos acrescentar caracteres e pentáculos correspondentes ao trabalho e, se quisermos, formar uma figura angular dentro ou fora do círculo, com a inscrição dos números convenientes que tenham correlação entre si e com o nosso trabalho, os quais calculamos segundo a maneira descrita no nosso Primeiro Livro.

Devemos, além disso, arranjar luzes, incenso, unguentos e remédios compostos segundo a natureza do espírito e o planeta que corresponde ao espírito quanto à virtude celeste e natural. Em seguida, devemos arranjar as coisas sagradas e consagradas, necessárias não só para a defesa do invocador e de seus companheiros como também para servir de conjuração e contenção dos espíritos, como papéis sagrados, lamens, gravuras, pentáculos, espadas, cetros, vestimentas de material e cor convenientes.

Tendo arranjado todas estas coisas, o exorcista e seus companheiros entram no círculo. Em primeiro lugar, deve consagrar o círculo e todas as coisas que for usar. Isto deve ser feito de maneira solene e firme, com gestos e expressão convenientes. A prece deve ser dita em voz alta da seguinte maneira: primeiro, uma oração a Deus, em seguida, chamando os espíritos bons, mas antes de tudo uma oração ou um salmo ou trecho do Evangelho, para a nossa defesa. Após estas orações, deve-se começar a invocar o espírito que se deseja, usando um encantamento suave e carinhoso, dirigindo-se para todos os cantos do mundo, celebrando sua própria autoridade e seu poder. Parar um pouco e olhar em volta para ver se algum espírito aparece. Se não estiver ali, repetir três vezes a invocação como descrevemos. Se o espírito for obstinado e teimar em não aparecer, conjurálo com o poder divino, fazendo com que todas as conjurações e celebrações estejam de acordo com a natureza e a função do espírito, repetindo três vezes, cada vez mais forte, usando injúrias, maldições, castigos, suspensões de seu poder e sua função, e coisas semelhantes.

Terminadas as maldições, parar e, se o espírito aparecer, o invocador deve voltar-se para o espírito e recebê-lo com boas maneiras, sinceramente, perguntar seu nome, escrevê-lo no papel sagrado e perguntar-lhe tudo o que quiser. E se o espírito parecer obstinado, ambíguo ou mentiroso em alguma coisa, conjurá-lo com conjurações convenientes. Se algo parecer duvidoso, fazer fora do círculo a figura de um triângulo ou um pentágono com uma espada consagrada e impelir o espírito para dentro dele. Se receberes uma promessa que queres confirmar com um juramento, estende a espada para fora do círculo e faze o espírito jurar colocando sua mão sobre a espada.

Tendo obtido do espírito o que desejas, ou estando a contento, dispensa-o com palavras educadas, ordenando-lhe que não faça mal. Se ele não quiser partir, obriga-o a isto com conjurações poderosas. Se necessário, expulsa-o com exorcismos e sufumigações adversas. Depois que ele partiu, não saias do círculo, permanece e usa alguma prece de agradecimento a Deus e aos anjos bons, como também ora por tua defesa e conservação futuras, depois do que podes partir.

Se tuas esperanças foram frustradas, e nenhum espírito apareceu, não te desesperes. Deixa o círculo após dispensar (nunca deves esquecer de fazê-lo, mesmo se o espírito não apareceu44) e volta em outras ocasiões procedendo da maneira descrita. Se pensas ter errado em algo, corrige  acrescentando ou tirando, pois a constância da repetição aumenta tua autoridade e teu poder, e inspira terror aos espíritos, compelindo-os à obediência.

Frequentemente, os espíritos vêm mas, para aterrorizar aquele que os chamou, não aparecem de forma visível na coisa que usam ou na própria operação. Este tipo de dispensa não deve ser feito de maneira simples, mas acompanhada de suspensão, até que eles obedeçam. Estes espíritos também podem ser invocados sem o círculo, usando os procedimentos que descrevemos quanto à consagração de um livro. Se pretendemos executar um efeito onde não precisamos de uma aparição, então devemos fazê-lo confeccionando e formando aquilo que será o nosso instrumento, seja uma imagem, um anel, um caractere, uma tabela, um escrito, uma vela, um sacrifício ou qualquer outra coisa. O nome do espírito deve ser escrito no objeto assim como o seu caractere, de acordo com a exigência da experiência, fazendo com sangue ou usando um perfume agradável ao espírito. Devemos fazer frequentemente orações e preces a Deus e aos anjos bons antes de invocar um espírito maligno, conjurando-o pelo poder divino.

Em algumas partes anteriores do Livro ensinamos como e de que maneira a alma se une ao corpo.

Lembremos que as almas ainda amam seus corpos abandonados após a morte, atraídas por afinidade. São as almas de homens maus que abandonaram violentamente seus corpos, ou almas cujo corpo não fora devidamente enterrado, que ainda perambulam com o espírito fluido e turbulento em torno do seu cadáver. Estas almas são facilmente atraídas aos seus corpos, desde que se conheçam os meios pelos quais elas estavam unidas ao corpo, por vapores, líquidos e odores. Por isso não se deve chamar as almas dos mortos sem o uso do sangue ou uma parte do seu corpo abandonado.

Para despertar estas sombras, devemos aspergir os ossos do morto com sangue novo, carne, ovos, leite, mel e azeite, que dão à alma o meio capaz de receber seu corpo.

Deve-se entender que os que desejam despertar uma alma de morto devem escolher os lugares nos quais este tipo de alma se sintoniza melhor; ou por meio de alguma correlação que atraia a alma para seu corpo abandonado; ou por meio de algum tipo de afeição impressa nele na vida passada, que atrai a alma para certos lugares, coisas ou pessoas; ou pela natureza forte de algum lugar preparado para castigar ou redimir estas almas, lugares que geralmente se revelam por meio de visões, incursões noturnas e aparições.

Fonte: Magus - Francis Barrett

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